Paróquia Bom Jesus

Palavrinha  do Padre!

Para esta Terceira Semana do Tempo da Páscoa

 

Meus Queridos filhos e filhas espirituais da Paróquia Bom Jesus e demais outros leitores espalhados pela Nação. 

 

Após um naufrágio, um único sobrevivente agradeceu a Deus pela Vida. Agarrou-se a destroços do navio e foi boiando até uma pequena ilha deserta, fora de qualquer rota de navegação. Agradeceu a Deus de novo. Com dificuldade, armou pequeno abrigo de madeira para proteger-se das intempéries do céu. Nos dias seguintes aprendeu a pescar, colher frutos e tirar água de cocos naquela ilha. Agradeceu a Deus. Entretanto, um mês depois, quando voltava da busca de alimentos, viu seu abrigo de madeira em chamas, envolto em altas labaredas e torvelinhos de fumaça. Terrivelmente desesperado se revoltou contra Deus, chorou e gritou:

—Deus, por que fizeste isso comigo? Chorou tanto, que adormeceu profundamente esgotado. No dia seguinte, bem cedo, foi despertado pelo barulho de um navio.

—Viemos buscá-lo. - Disseram os marujos da equipe de salvamento.

—Como souberam que eu estava aqui? - Interrogou o náufrago.

—Nós vimos os seus sinais de fumaça!

 

Conclusão: É comum sentirmo-nos desencorajados e até desesperados quando as coisas não vão bem.

 

Mas, no silêncio Deus age em nosso benefício, ainda mais em momentos de sensação de abandono e angústia. Portanto devemos nos lembrar que se algum dia o nosso único abrigo estiver em chamas, esse pode ser o sinal de fumaça que fará chegar até Você a Graça de Deus.

 

Nesta semana passada, assisti na TV o filme “Patton”, a trajetória heroica do General George Patton extraordinariamente interpretado em 1970 pelo ator George Campbell Scott.

 

General Patton dizia: “Aqueles que rezam fazem mais pelo Mundo que aqueles que lutam e se o Mundo vai de mal a pior, é porque existem mais batalhas do que preces.” O filme Patton foi a celebração de um grande herói militar americano.

 

Nós ainda estamos sob estado de isolamento social por causa desta Pandemia.

 

Cristãos sem Igrejas. Judeus sem Sinagogas. Muçulmanos sem Mesquitas.

 

Rezamos em casa, rezamos em família.

 

Há 102 anos atrás a Gripe Espanhola ceifou a vida de mais de cinquenta milhões de pessoas no Mundo.

 

Entre os que contraíram a gripe estava Francisco de Paula Rodrigues, nascido em Guaratinguetá, terra de Santo Frei Galvão, e quinto presidente da República eleito pela segunda vez.

 

Naquele tempo anunciaram os mais extravagantes remédios como quinino e uso de bebidas alcoólicas, mas nunca aplicação de desinfetante no corpo como sugerido pelo atual presidente dos EUA. Insanidade mental!

 

Hoje me causa feliz perplexidade a solidariedade das pessoas diante da situação de caos causada por este indecente Coronavírus. Estamos nos conscientizando a duras penas que somos chamados para viver uma Fé solidária e não solitária.

 

Descobrimos também como precisamos do Sistema Único de Saúde em nosso País. O nosso SUS brasileiro não é criação de Governos recentes como querem propagar algumas pessoas numa imbecilidade partidária em plenos tempos de peste viral. Precisamos estudar História. O nosso SUS foi criado em 1988 pela Constituição Federal em pleno Governo Sarney, mas o que hoje importa é nossa obrigação cristã de rezar com afinco e Fé pelos profissionais da Saúde.

 

No nosso Brasil, estima-se que pelo menos UM em cada DEZ profissionais de jaleco branco, entre médicos e enfermeiros, esteja contaminado pelo Covid-19. Estes heróis acabam erguendo couraças fisiológicas e psíquicas na lida cotidiana com o sofrimento, mas precisam de nossas Preces, de nossa intercessão.

 

Um outro pequeno assunto que me instiga a atenção é a solidariedade dos empresários. Um dos economistas mais influentes do Século passado, o inglês John Maynard Keynes definiu o Capitalismo como a crença segundo a qual nem mesmo o mais insignificante dos homens fará a mais insignificante das coisas para o Bem Comum. Este tal posicionamento seria uma decorrência do “espírito animal” dos empresários.

 

Hoje ouso dizer que o Capitalismo encontrou mecanismos para domar seu lado mais selvagem com empresas de renome ou microempresas que se envolvem na produção de produtos para uso no combate ao vírus ou para ajudar a atenuar o efeito dos impactos econômicos da Pandemia no Planeta. Fantástico!

 

Já no meio político, minha Gente Iluminada, a Suprema Corte dos nossos digníssimos Ministros de toga negra que mais parece Capa do Conde Drácula da Transilvânia, os Ministros do Supremo Tribunal Federal alertaram sobre o fato que a redução de salário do funcionalismo público, inclusive o deles, em vista da Pandemia nada mais é que inconstitucional. São onze os magistrados na Suprema Corte com um salário mensal de 39.293 reais.

 

O que dizer? Solidariedade é palavra maldita em determinadas camadas da nossa Sociedade. “Quem se faz surdo ao clamor do pobre não será ouvido quando ele mesmo clamar.” - Livro dos Provérbios 21, 13.

 

Um dos homens mais ricos do Mundo, Warren Buffett, diz que quando a maré baixa, fica-se sabendo quem está nadando pelado. Pois veio a Pandemia e o Brasil exibiu-se peladinho com a realidade de nossas miseráveis comunidades, imensas, superpovoadas, apertadas e abandonadas pelos serviços públicos. Eu diria que a eliminação da miséria é o desafio ético do nosso tempo. É esta a nossa fronteira civilizatória, assim como foi, no Século XIX, o fim da escravidão.

 

Desafio ético para todos!!!

 

Voltemos ao personagem George Patton. O general americano tem uma segunda frase que me encanta: “Quanto mais você sua no treinamento, menos sangra no campo de batalha!” Nesta Vida a gente já suou e já sangrou. Sua e sangra.

 

Fica a questão: Nós, que somos engolidos pelo cotidiano, pressionados pelos compromissos mil, sobrecarregados pelas múltiplas demandas, correndo atrás do vento, buscando reconhecimento, lutando para manter um padrão de Vida, comendo fast food, acordando cedo, dormindo tarde, podemos ou não nos orgulhar da pessoa que nos tornamos???

 

O tempo passa e à medida que a Vida escorre, cada um de nós vai se transformando em alguém, moldados nas formas da nossa existência. É uma metamorfose inexorável da qual ninguém escapa.

 

Experiências boas ou ruins vão compondo nossa jornada, para o Bem e para o Mal, haja vista o crescente número de pessoas nos divãs dos psicanalistas e nos degraus do confessionário das Igrejas.

 

Estas experiências podem nos transformar em um indivíduo a ser detestado por nós mesmos ou pelos outros ou em alguém que nada mais é que uma versão madura e bela da criança que um dia fomos.

 

Acontece que podemos nos tornar uma pessoa deformada e detestável e, ainda assim, gostarmos desta versão de nós mesmos. Somos capazes de nos orgulhar de coisas em nós que são essencialmente vergonhosas.

 

Por isso mesmo, uma segunda questão para a gente meditar, ainda mais desafiadora: Será que estamos nos transformando na pessoa que DEUS deseja que sejamos?

 

Verdade que a pessoa em que estamos nos tornando não é uma criação somente nossa. Ela é resultado das múltiplas influências nesta arena de suor e sangue da existência humana.

 

Ao longo desta existência, vamos interagindo com pessoas, ambientes, experiências, e é o somatório disso tudo que nos transforma em quem somos. Por saber disso, DEUS coloca santas influências em nossa Vida, para que, a partir delas, cada um de nós possa ser moldado às condições que ELE gostaria que tivéssemos.

Quanto mais convivemos com pessoas ajustadas, tanto mais próximos estamos do projeto idealizado por DEUS. Então, fuja de gente desajustada.

 

Coragem! Ânimo!

 

“Não te deixes levar ao desânimo.” - Livro do Eclesiástico 7,9.

 

Em sua Infinita Sabedoria, DEUS encontrou na Bíblia uma maneira emblemática de nos revelar seus DESEJOS para conosco.

 

Um dia, DEUS mandou seu profeta Jeremias visitar o ateliê de um ceramista. Lá chegando, o profeta viu as hábeis mãos do oleiro transformar lama em vasos. Aquela matéria prima disforme, nada mais que terra misturada a água, virava verdadeiras obras de arte cerâmica. Deus quis que o profeta Jeremias e todos nós víssemos que esta é a História DELE conosco. Sim, não importa que sejamos apenas argila, mas sim, aquilo em que podemos nos tornar, vasos de cerâmica artística feitos para a Glória de DEUS.

 

A pergunta crucial que cada um de nós deve responder a si mesmo é: Que tipo de pessoa estou me tornando???

 

Palavra de Deus para hoje,

Salmo 138, Versículo 1 ao 18.

 

 

Com minhas Preces e Benção Sacerdotal

Padre Cláudio Dias.