Paróquia Bom Jesus

Palavrinha  do Padre!

Para o Segundo Domingo da Páscoa,

 

Domingo da Divina Misericórdia. Meus Queridos filhos e filhas espirituais da Paróquia Bom Jesus e demais outros todos leitores deste nosso imenso Brasil varonil. Soube eu que minhas palavras se alastram feito fogo no cerrado em época de seca. Fico lisonjeado. Num tempo em que surgem tantos textos sedentos de atenção e reconhecimento nas Mídias, hoje em dia, escrever um artigo que possa infiltrar-se nas artérias de nossos corações já é honra.

 

As palavras são libertadoras.

 

Há pessoas que pode ensinar coisas mecânicas, científicas ou matemáticas como a álgebra, ensinar inglês ou mandarim, ensinar andar de bicicleta ou ensinar tecnologia. Mas sobre o que realmente importa, ou seja, Vida, Amor, Deus, Solidariedade, quem pode ensinar? Quais as palavras apropriadas?

 

Nesta semana fui abatido por uma falta de inspiração. Penso até que seja normal em vista deste isolamento social. Pessoas me cobram um texto longo todos os dias da semana, mas há dias que a gente olha para uma pedra e nada mais é do que uma pedra!

 

Conforta-me um romance americano que narra a história de um famoso pregador que encantava as multidões. Diante de seu altar, havia sempre presente um velhinho que ouvia assiduamente os seus sermões. O pregador, por sua vez, estava feliz com o sucesso da própria oratória. Certo dia aparece-lhe um anjo e lhe diz: —“Parabéns pelas suas homilias. Você é muito capaz.

 

Mas lembra-se daquele senhor idoso que vem sempre escutá-lo? Pois bem, fique sabendo que ele não vem para ouvi-lo, mas para rezar por você. São graças às preces dele que suas pregações fazem tanto bem aos seus ouvintes!”

 

Por isso, permitam-me que lhes diga de coração sincero: conto com suas preces. Perguntaram-me mais uma vez meu parecer humano sobre a origem do indecente do Coronavírus haja vista reportagens que mais uma vez acusam a China de criar o vírus em laboratório para infectar o Planeta visando a desestabilização econômica das Nações.

 

Eu não confio muito em produtos do Paraguai ou da China, mas ouso crer que se o Coronavírus foi criado pelos chineses, desta vez ultrapassaram todas as expectativas. Em Março agora o bispo auxiliar da Diocese de Mindong, China, Dom Vicent Guo Xijin foi obrigado a sair da residência onde vivia com alguns padres, depois que autoridades chinesas cortaram a água e a eletricidade do imóvel, manifestando publicamente um gesto de pressão e ódio contra a Igreja Católica. Sabe-se pela Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, que cinco Paróquias foram fechadas sob a alegação de questões de segurança.

 

Então, hoje, quero unir meu coração sacerdotal ao seu coração numa prece de clamor pelos Católicos da China. O Observatório dos Direitos Humanos denunciou a existência de um sofisticado sistema de censura na Internet da China, como também os chamados “Campos de Reeducação” onde milhares de pessoas são submetidas a trabalho forçado sob alegação de serem contrários à direção política do Partido Comunista Chinês.

 

Eu me recordo do Cardeal vietnamita Francisco Van Thuan que permaneceu no cárcere de 1975 a 1988, sendo NOVE ANOS em cela solitária na prisão de Phu-Khanh. Escrevo sobre um sistema político opressor e de masmorra porque muitas pessoas têm reclamado das consequências deste período de isolamento social, de distanciamento humano imposto pelas circunstâncias.

 

Eu penso que devemos reconhecer que estamos presos numa penitenciária que nós mesmos construímos. Por que será que nascemos num Mundo tão maravilhoso e acordamos numa cadeia moldada por nós mesmos? Não estamos acostumados a conviver com a gente mesmo por tanto tempo, mas foca seu entendimento nas benesses deste tempo de Pandemia.

 

O isolamento social imposto nos ensina a libertar nosso olhar e nosso coração de tudo o que promete Felicidade instantânea e acalmar nossos anseios por meios externos. Precisamos despertar para o ser humano que somos, frágeis criaturas. Então, ofuscados por tantas coisas supérfluas, perdemos nossa cegueira e subitamente passamos a enxergar coisas tão próximas do nosso próprio nariz.

 

Hoje recordamos as palavras do Papa Pio XI quando diz que “a família é mais importante que o Estado. As pessoas nascem não tanto para a terra e a temporalidade quanto para o Céu e a Eternidade.”

 

Este isolamento social é propício para a Ação de Jesus. Cura-nos da surdez que nos anestesiava, atordoados por todo aquele barulho à nossa volta. Cura-nos da paralisia que nos acometia da multiplicidade daquilo que nos é ofertado e nos excita, haja vista nossos guarda-roupas com tantas vestimentas que nem nos servem mais na cintura.

 

Este isolamento é propício para a Ação de Jesus que nos livrou de embotamento por todo o terror que impomos aos outros e a nós mesmos, até mesmo na Religião. Despertamos a nossa espiritualidade Eucarística em vista da ausência das Missas. Saudades! Despertamos a nossa espiritualidade Cristológica em vista da solidariedade prestada aos nossos irmãos nestes tempos de exílio involuntário. Despertamos a nossa espiritualidade Trinitária quando somos tomados por uma “instant hope” (esperança instantânea) no amanhã.

 

Quando Jesus estava em Jerusalém com seus discípulos, foram ao Templo e Ele disse: —“Vejam essa construção. Eu vos digo, não sobrará pedra sobre pedra.” Ele não estava falando como um vidente da destruição futura do Templo de Jerusalém. Não. Jesus estava se referindo a outra coisa. Jesus queria dizer das pedras dentro de nós, esse castelo de defesas, essa impossibilidade da experiência da Vida.

 

Tem uma frase extraordinária de Ernest Kurtz: “A Religião é para aqueles que tem medo de cair no Inferno, espiritualidade é para aqueles que lá estiveram.”

 

Quando passar esta Pandemia, com certeza, milhares de nós vamos experimentar esta sensação de que saímos mais fortes na própria humanidade, mais espiritualizados, mais íntimos de Deus.

 

Santa Terezinha do Menino Jesus escreveu: “Não compreendo aqueles que tem receio de um Amigo tão afetuoso! Vejo que me é suficiente reconhecer a minha pequenez e, como uma criança, lançar-me nos braços de Deus.” 

 

Em julho de 2014 estive em Cracóvia eu visitei o belíssimo Santuário da Misericórdia Divina em Lagiewniki, lugar do túmulo da Irmã Faustina. Na Capela da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia está a famosa pintura de Jesus Misericordioso e surpreendi-me em preces e lágrimas pelo Mundo. Não senti constrangimento pelo choro. Dizem os poetas que as lágrimas são amor líquido. A própria Irmã Faustina escreve: “Quando mergulhei em oração e me uni com todas as Santas Missas que naquele momento estavam sendo celebradas no Mundo inteiro, supliquei a Deus, por meio de todas essas Missas, misericórdia para o Mundo.”

 

Atualmente, segundo estatísticas do Vaticano, vivem no Mundo mais de 400 mil sacerdotes. A grande maioria deles celebra todos os dias a Missa, às vezes até mais que uma só.

 

Na Paróquia Bom Jesus, fora destes tempos de indecente Coronavírus, temos quatro Missas aos Domingos. O que Jesus hoje nos exorta é que possamos nos unir espiritualmente com todas as Missas celebradas em qualquer parte da Terra.

 

Além de suplicar a Deus, por meio das Missas, misericórdia para o Mundo, roguemos também compaixão para os pobres pecadores.

 

Hoje compreendemos a importância de nossas Preces pelo Mundo, mas não pelo nosso Mundo minúsculo, quase que invisível a olho nu.

 

Devemos rezar pelo Mundo inteiro.

 

O Papa emérito Bento XVI que recentemente celebrou 93 anos de idade nos ensinou que devemos ser diligentes na busca do Bem para os outros. Quem ama, cuida! Quem nada conhece, nada ama. Quem nada pode fazer, nada compreende. Quem nada compreende, nada vale. Mas quem compreende também ama, observa, vê,....

 

Quanto mais conhecimento há com relação a nossa resiliência nestes tempos difíceis, tanto maior o amor. Aquele que imagina que todos os frutos amadurecem ao mesmo tempo, como as cerejas, nada sabe a respeito das uvas.

 

Palavra de Deus para hoje,

Evangelho de Jesus segundo São Mateus, Capítulo 6, Versículo 34.

 

 

Com minhas Preces e Benção Sacerdotal

Padre Cláudio Dias.