Paróquia Bom Jesus

Palavrinha do Pároco!

Sexta-feira da Paixão de 2020

 

Meus Queridos filhos e filhas espirituais da Paróquia Bom Jesus.  

 

Celebrei a Liturgia da Paixão do Senhor com a Igreja de portas fechadas conforme Decreto do Governo e da Diocese. Na Oração Universal da Liturgia desta Sexta-feira da Paixão rezei uma intenção especial pelos doentes, os falecidos e por todas as pessoas que estão sofrendo com perdas neste tempo de Pandemia.

 

Nos Cemitérios, os corpos de pessoas vítimas do Coronavírus saem do carro funerário direto para a sepultura, sem velório, em caixão lacrado por causa do risco de contágio.

 

Dia destes ganhei um Livro de Freud. Ele escreveu em seu texto “Reflexões para os tempos de guerra e morte” que a morte deveria ser vista como algo natural e inevitável, mas que na realidade temos um comportamento diferente, revelando uma tendência inegável para pôr a morte de lado.

 

Nos dias atuais existe uma grande pressão para que se apresentem conceitos que ajudem as pessoas a compreender o dilema da Vida: Somos seres finitos. Como padre dou-me a liberdade de dizer que a morte é um medo presente em todos os seres humanos. Cabe a nós, padres, acolhermos as pessoas em luto nas suas angústias, respeitando seus limites, possibilitando, assim, dar um novo significado à Vida.

 

Algumas pessoas perguntam se a Pandemia de Coronavírus é Obra de Deus ou do Diabo. No Segundo Livro de Crônicas, Capítulo 7, Versículos 13 e 14 lê-se: “Quando Eu enviar a peste sobre Meu Povo, se Meu povo sobre o qual foi invocado o meu Nome, se humilhar, se procurar minha Face para orar, se renunciar ao seu mau procedimento, escutarei do Alto dos Céus, e sanarei sua terra.” Eu não quero crer que esta Pandemia seja uma praga, uma maldição de Deus, porque se provém de Deus, é antes, uma exortação, um aviso, um sinal. E crer que esta epidemia mundial seja um trabalho do Carcará Malévolo conhecido como Satã, é no mínimo, dar-lhe muita credibilidade. Isto significa que não creio no Carcará Malévolo? Não é isto que quis transparecer em minhas palavras, tanto é que nosso Bispo Diocesano Dom José Negri nos exortou rezar a Oração de Exorcismo em particular, todos os dias em nossas Paróquias.

 

O Papa Bento XVI escreveu há décadas atrás: “Seja qual for a opinião de alguns teólogos sem consistência, o Diabo é para a Fé Cristã uma presença misteriosa, mas muito real, pessoal e não somente simbólica”.

 

Atualmente, minha Gente Iluminada, quando acontece uma tragédia, as pessoas se perguntam como Deus pôde permitir tais acontecimentos. No que Deus está pensando? Ele realmente está no controle? Podemos confiar a condução do Universo a um Deus que permite uma Pandemia?

 

Gente, os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos, nem são como nossos pensamentos. Enquanto pensamos em preservar o corpo, Deus nos exorta a preservar a alma. Gostamos do que enferruja e Deus aprecia o que é Eterno. Alegramo-nos com nossos sucessos e Deus se alegra com nossas Confissões.

 

Mostramos aos filhos o astro de futebol que recebe milhões de reais por mês e incentivamos: “Seja como o Neymar!” Deus aponta para o carpinteiro de Nazaré crucificado fora dos muros de Jerusalém e diz: “Seja como Cristo.” Cristo é Vencedor. Vencedores não nascem prontos. São feitos na lava vulcânica da criação do Universo, forjados na têmpera do aço, dia após dia.

Vencedores são muitas das vezes criados em meio a rejeição e batalhas não descritas nos livros de História. Vencedores não são reconhecidos pelas suas feridas abertas, mas por suas cicatrizes que são troféus de sobrevivência, reconhecidos por fraturas calcificadas e tendões rompidos. Vencedores são especialistas em improvisos, pois quando o plano falha, improvisa-se com o que há disponível. Vencedores vencem as dores. Não há dor que nos separe de Deus. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” - Carta de São Paulo aos Romanos, Capítulo 8, Versículo 13. DEUS É POR NÓS. Deus é por Você.

 

Na Liturgia desta Sexta-feira da Paixão rezei diante do grande Crucifixo que temos aqui na Paróquia Bom Jesus, rezei intensamente pelas vítimas deste indecente Coronavírus. Sexta-feira da Paixão é próprio para se falar em Morte. Você consegue se lembrar da primeira vez em que a Morte te forçou a dizer adeus? A maioria de nós consegue. Eu consigo. Quando eu era pequenino, uma noite, apareceu lá em casa em Uberaba alguém para nos levar a Uberlândia para os funerais de uma irmã da mamãe. Não recordo o nome, mas me lembro nitidamente do enterro daquele pobre caixão numa cova de terra vermelha.

 

Nos funerais a gente ouve palavras do tipo “descansou”, “partiu”, “se foi”. Termos estranhos. Descansou de que? Partiu para onde? Foi-se por muito tempo? Deus transforma nosso sofrimento desesperado em um sofrimento de esperança. Como? Prometendo que veremos nossos entes queridos novamente.

 

Eu, padre, já perdi a conta de sepultamentos. Nos últimos tempos sepultei gente muito querida ao meu coração sacerdotal: Décio, Antônio Roque, Ailrton, João Friscio, Zequita, Srº Luiz, Srº Carlos.... Sempre digo que não é “perda”, mas “devolução”. Devolvemos para Deus nossos amados.

 

É justo que choremos, mas não há necessidade de desespero. Nossos mortos tiveram dor aqui; não há dor lá. Eles lutaram aqui, não tem luta lá. E quanto a cada um de nós? Em meio às tempestades diárias, e nesta tormenta que assola nosso Brasil e até o Mundo inteiro, cerca de 180 Países, faça questão de ficar quieto e ter Deus em perspectiva.

 

Deixe que Deus seja Deus. Deixe Deus te banhar em Glória. Fique em silêncio. Esteja aberto e disposto. “Deus combate por nós” - dizia Moisés aos hebreus perseguidos pelos egípcios. (Êxodo 14,14).

 

Algumas pessoas me escrevem relatando suas angústias causadas pelo distanciamento da Igreja, ou melhor dizendo, angústias causadas pelo fechamento de nossas Paróquias em vista do poder de contaminação do indecente do Coronavírus. Inúmeras vezes eu disse que devemos fazer de nossa CASA uma extensão da nossa IGREJA e da nossa IGREJA uma extensão da nossa CASA.

 

Eu me lembro bem de um frequentador de uma Igreja que escreveu uma mensagem para um Jornal da Cidade. Leia a Mensagem: “Eu tenho ido à Igreja por 30 anos e durante este tempo ouvi uns 3000 sermões. Mas, com exceção de um ou outro, não consigo lembrar da maioria deles. Por isso, penso que estou perdendo meu tempo e os padres que pregaram estão desperdiçando o tempo deles.”

 

Essa Matéria divulgada pelo Jornal gerou uma grande polêmica resultando em uma sábia resposta de um leitor, igualmente publicada nos seguintes termos:  “Estou casado há mais de 30 anos e durante esse tempo a minha esposa deve ter feito umas 9000 refeições. Mas, com exceção de uma ou outra, não consigo me lembrar da maioria. Mas de algo eu sei: Todas elas me nutriram, me alimentaram e me deram o vigor necessário para as minhas atividades. Sem essas refeições, eu e nossos filhos estaríamos desnutridos, fracos, desanimados e mortos. Da mesma maneira, se eu não tivesse frequentado a Igreja para alimentar minha Vida, minha Alma e a da minha Família, estaríamos hoje mortos espiritualmente.”

 

Portanto, VOCÊ, sim, VOCÊ, não deixe de estar em comunhão com sua Igreja.

 

Diz São João da Cruz que a alma virtuosa, se sozinha, sem mestre, é como carvão aceso que está isolado. Antes, se vai esfriando que acendendo! Esfria até apagar-se.

 

Este período de isolamento social é tempo de abertura consciente, de disponibilidade à Graça de aceitar-se, de investir e fazer justificar a própria existência.

 

Encorajemo-nos uns aos outros.

 

Sejamos Igreja!

 

A Palavra de Deus para e ocasião:

Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios todo o Capítulo 13.

 

 

Com minhas Preces e Benção

Padre Cláudio Dias.

 

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