Paróquia Bom Jesus

Palavrinha  Carinhosa do Padre!

 

 

Meus Queridos filhos e filhas espirituais da Paróquia Bom Jesus e demais outros leitores espalhados por esta Terra de Santa Cruz. 

 

Muita gente faz comparação entre aurora e pôr do sol. Muito se diz a respeito, mas sempre que neles se fala é unânime dizer que ambos são lindos. Eu sempre avaliei o pôr do sol mais melancólico porque precede o anoitecer. Um entardecer não obstante sua beleza é sinal de que logo será noite, envolta em escuridão. A aurora, no entanto, anuncia um novo dia, suas cores são sinais do novo que começa, uma nova fase, oportunidades mil. 

 

Ambos são fase de transição, parece soar como uma dessas fases em que sempre algo novo começa ou termina. 

 

Se pensarmos bem, veremos que nós, já passados e vividos, somos como um crepúsculo em cores. O que importa é que façamos desse colorido uma predecessora aurora de muitos novos dias alegres por vir e que os acasos fiquem só para serem observados na natureza por sua beleza. 

 

Debaixo do céu há tempo para cada coisa, diz o Livro bíblico do Eclesiastes. Entre o nascer e o morrer, há o tempo para viver! Desde a minha última postagem sobre Jesus, o Bom Pastor, algumas pessoas que tem o número do meu WhatsApp avaliaram o meu texto como muito ácido por denegrir a imagem da toga dos Ministros da Suprema Corte do nosso País. 

 

Por Deus! Está escrito: “Quem vigia sua boca, guarda sua Vida! Quem muito abre seus lábios, se perde!” - Livro dos Provérbios 13,3. 

 

Comigo, acidez só no azeite, porém, é de conhecimento público que o Judiciário ordenou a soltura de 30 mil presidiários por causa da Pandemia. Já sei: Padre Impiedoso Sou! Onde já se viu manter os traficantes, assassinos, estupradores e estelionatários em regime de confinamento em tempos epidêmicos? 

 

A compaixão nem sempre é virtude. Quem poupa a vida do lobo, condena à morte as ovelhas. Sei que nem todos concordam, entretanto o importante, penso, é aprender com a polaridade de opiniões e de visões, porque essa é a riqueza de ser humano. 

 

Somos contraditórios, sim, mas não podemos esquecer que somos a espécie que pensa e resolve problemas complexos. 

 

Creio que tenho observado um fenômeno chamado Efeito de Unidade Nacional (Rally round the flag, em inglês), quando, devido a situações dramáticas como uma Pandemia de Coronavírus, indecência por excelência, a população deixa de lado rivalidades políticas e se une. 

 

À cultura de competitividade, rivalidade e violência, contrapõe-se uma cultura de fraternidade, solidariedade e amor. Estamos mais unidos, apesar do Isolamento Social obrigatório. Creio também que não estou enganado ao exprimir aqui a minha impressão pessoal que o brasileiro está mais politizado. 

 

Tenho certeza que o brasileiro atualmente se lembra de pelo menos um ou dois, senão talvez até sete nomes de ilustres Ministros do Supremo Tribunal Federal, o que é louvável. O Presidente da República tem o direito de fazer nomeações quando das futuras aposentadorias compulsórias dos Ministros Celso de Mello e Marco Aurélio de Mello. 

 

Deus queira que o atual Ministro da Justiça, André Mendonça, e o jurista Ives Gandra Filho sejam nomeados para a Suprema Corte. São homens extraordinários. Pergunto: Vamos ver ou não mudanças duradouras no pós-Covid-19? 

 

Descobrimos, pelo menos, o prazer de estar juntos como FAMÍLIA

 

Assistimos ao renascer do cozinhar como uma forma de socialização importante no elo do lar. Nunca vi tanto candidato a Master Chef e jamais recebi tantos videozinhos no WhatsApp de preparação de comida caseira: pudins, pastéis, manjares, sanduíches, pães caseiros, bolos, pizzas, broas, pavês e afins. 

 

E mesmo sem Missa, estamos mais espiritualizados com uma intimidade maior com as Sagradas Escrituras, com o Catecismo da Igreja Católica e até com Documentos eclesiais. 

 

Nesta semana um paroquiano me perguntou o que significa o adjetivo “místico” na Eclesiologia? Eu fiquei pasmo! Delícia das Delícias! Um paroquiano estudando Teologia. 

 

E, Gente Iluminada, Lives? Nunca recebi tantas exigências para fazer Live! Eu, francamente, estou mais acostumado a escrita porque penso que o cansaço digital provocado por dezenas de vídeos ao longo do dia, fora a avalanche de mensagens, está nos levando a exaustão. Eu mesmo não suporto videozinhos com mais de 5 minutos de duração! 

 

É o prazer do silêncio reflexivo contra o ruído permanente da superficialidade de milhares de informações. 

 

E por fim creio que a Pandemia trouxe a Ciência de volta ao centro de um processo que não ofusca o valor da prece. 

 

Muitos grupos rezam por aqueles que estão hospitalizados, e nada disto conflita com o valor científico do que hoje sabemos acerca do indecente do Coronavírus. 

 

Temos de retomar a capacidade de conviver com a ambiguidade, reduzindo a necessidade de verdades absolutas. 

 

No Domingo do Bom Pastor proclamou-se o Evangelho no qual Jesus se autoproclamou “Porta das Ovelhas”! Que tipo de porta é Jesus? Antes de tudo, Jesus é uma porta que não se fecha nunca, nem para fora nem para dentro. Jesus é uma porta de entrada livre. Devemos nos perguntar se na nossa Igreja não instalamos muitas alfândegas pastorais, tipo pedágios, tornando difícil o acesso a Jesus. 

 

Finalmente, Jesus é uma porta que não serve somente para entrar, mas também para sair. 

 

No livro do Apocalipse, Jesus diz que está à porta e bate. Do lado de fora para entrar! Mas pensemos nos momentos em que Jesus bate do lado de “dentro” para deixa-Lo sair. Já pensou nesta hipótese? 

 

O Capítulo 10 do Evangelho de São João trata do tema do Bom Pastor e das ovelhas do rebanho. EU SOU! No Evangelho de São João o uso do verbo “ser” é muito frequente. Por sete vezes! Quantas vezes? Sete! Por sete vezes Jesus utiliza o verbo “ser” com complemento: Eu sou o pão da Vida. Eu sou a Luz do mundo. Eu sou a porta. Eu sou o Bom Pastor. Eu sou a Ressurreição e a Vida. Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Eu sou a Videira Verdadeira. Ou seja, por sete vezes Jesus diz Quem e o Que Ele é!!!! 

 

Jesus diz que há um só rebanho e um só Pastor. Cumprem-se assim as profecias que previam que o pastor reuniria  todo o rebanho disperso num só, conforme o Livro de Ezequiel 34,11-16. 

 

O Apóstolo São Paulo ensina que Jesus faz de Israel e dos pagãos um só povo conforme está em Efésios 2,14. 

 

A unidade e a comunhão são fundamentais conforme ainda em Efésios 4,4-6: “Há um só Corpo e um só Espírito, assim como uma só esperança da vocação a que fostes chamados; há um só Senhor, uma só Fé, um só Batismo, há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, por meio de todos e em todos.” 

 

Hoje ouso reforçar aqui uma Fé saudável: O caminho para a superação da Pandemia passa pela submissão à autoridade da Ciência e pelo rigor na observação das orientações e recomendações dos nossos irmãozinhos profissionais da saúde. 

 

Permaneço em casa. Saio somente para a Unção dos Enfermos quando solicitado em Hospitais e para presidir as preces de Exéquias em Cemitérios. 

 

São dias difíceis, porém atender às recomendações das autoridades é uma expressão de sensatez e também uma forma de honrar a Deus. Pois, como bem disse o cientista francês Louis Pasteur, “um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima.” 

 

Hoje assisti um vídeo de um indivíduo que se intitula “apóstolo” vendendo grãos de feijão por um preço exorbitante, baseado em José do Egito, no Livro de Gênesis. Este tipo de gente que insiste em negar a voz da Ciência em nome de uma Fé mercantilista expressa não apenas ignorância, como também atua de maneira irresponsável e cruel, expondo seus fiéis à disseminação de um vírus que já se provou assassino. 

 

A Religião não rivaliza com a Ciência. Este indecente do Coronavírus deve ser enfrentado com a Medicina por excelência como também é autêntico na nossa História que os suplementos de solidariedade, compaixão e resiliência, necessários e heroicamente demonstrados por todos aqueles que se expõem ao risco para prover cuidados extremos aos enfermos e vulneráveis, são qualidades que se encontram no coração dos que creem que a Vida descansa nos mistérios e virtudes do espírito humano e do Espírito de Deus! 

 

Assim é a Fé saudável: Não se fabrica em laboratórios e nem se adquire em farmácias. 

 

Rezemos pelos nossos profissionais da saúde! 

 

E vou terminando por aqui rendendo as devidas homenagens as Mamães porque a Sociedade apregoa que o segundo Domingo de Maio é o Dia das Mães, se bem que Dia das Mães é todo Dia! 

 

Uma simples mulher existe que, pela imensidão de seu amor, tem um pouco de Deus e pela constância de sua dedicação tem muito de anjo. Que sendo moça, pensa como uma idosa e, sendo velha, age com as forças todas da juventude. Quando ignorante, melhor que qualquer sábio desvenda os segredos da Vida e, quando sábia, assume a simplicidade das crianças. Pobre, sabe enriquecer-se com a Felicidade dos que ama, e, rica, empobrecer-se para que seu coração não sangre ferido pelos ingratos. Forte, entretanto estremece ao choro de uma criancinha, e, fraca, entretanto se alteia com a bravura dos leões. Viva, não lhe sabemos dar valor porque à sua sombra todas as dores se apagam, e, morta, tudo o que somos e tudo o que temos daríamos para vê-la de novo, e dela receber um aconchego de seus braços, uma palavrinha de seus lábios. 

 

Não exijam de mim, um pobre padre caipira, que diga o nome dessa mulher, se não quiserem que encharque de lágrimas este texto. Eu a vi passar no meu caminho. 

 

Quando crescerem seus filhos, leiam para eles este meu texto. Eles lhes cobrirão de beijos a fronte, talvez também as costas de suas mãos, e dirão que este pobre padre caipira aqui deixou para todos o retrato de sua própria MÃE. 

 

Parabéns a todas as mamães! 

 

Leitura obrigatória para esta semana: 

Livro de Zacarias Capítulo 3, Versículo 7. 

E ainda, Livro de Malaquias Capítulo 3, Versículo 20. 

 

 

Com minhas Preces e Benção Sacerdotal

Padre Cláudio Dias.